domingo, 17 de junho de 2012

Capítulo 4 – Sabrina, a baladeira.

Após minha morte, Sabrina foi a que se recuperou mais rapidamente.
Num primeiro momento, ela se dedicou a culinária de corpo e alma.
Quando ela sentia que a tristeza a invadia, ela ia à acadêmia e se exercitava até a exaustão para não pensar em minha morte.
Digamos que num primeiro momento da vida adulta, Sabrina ficou perdida sem saber que rumo seguir na vida. Ela sai de carro sem direção, para ver se algo a interessava na vida.
E foi numa destas voltas que ao ver Paula, uma assistente culinária, que ela decidiu que porque ela não seguir a  sua paixão como profissão?
No dia seguinte, ela começou a trabalhar como ajudante de cozinha no Little Corsican Bistro.
Ela levou a sério sua nova carreira se dedicando a estudar culinária e novas receitas no seus dias de folga. Portanto, em pouco tempo ela realizou o desejo de sua vida que era: culinary librarian*, devido a sua dedicação por aprender o maior número possível de receitas.

*Meu jogo está em inglês e eu não sei qual seria a tradução deste desejo de vida em português.
Receitas que ela praticava vezes sem fim para saber fazer de pratos excepcionais.
Como vocês podem ver.
E toda esta dedicação foi reconhecida pelo seu patrão. Sabrina recebeu várias promoções, chegando a posição de Chefe doceiro em pouco tempo.
Mas, a vida de Sabrina não era só cozinha.
Nos seus dias de folga ela estava sempre na balada, sendo convidada para inúmeras festas que duravam até altas horas.
E sua beleza, assim como suas roupas sempre sexys, atraiam vários admiradores.
Porém, seu coração já tinha dono. O relacionamento de adolescência com César, continuou forte na fase de jovem adulto da vida deles.
Eles adoravam dançar, e viviam em dances até altas horas da madrugada.
Mas, de vez enquando saiam para um «tête-à-tête» romântico.
Eu não posso negar que meu coração se enchia de alegria ao ver os dois juntos.
Eles eram um casal extremamente apaixonados um pelo outro.
E pensar que no começou eu fui contra esta relação.
Mas, confesso que estou muito feliz pela minha filha, quem sabe não teremos um casamento e breve? rsrsrsrsrs.
César vivia vindo a nossa casa encontrar Sabrina.
E como todo jovem casal apaixonados, eles não se desgrudavam.
Com seus hormônios a toda, não demorou muito que o relacionamento deles passassem a um outro nível.
Exatamente, o primeiro oba-oba de ambos foi na ducha lá de casa. Confesso que se eu tivesse vivo eu teria impedido e mesmo como fantasma me deu vontade de interferir...
... ainda mais ao ver a expressão de felicidade deste moleque após ter desvirginado minha filha.
Mas digamos que não fiz nenhum e nem outro.
E uma vez que eles começaram, digamos que os oba-oba eram cada vez mais frequentes, seja em casa ou na casa de César.
E com o tempo Sabrina passou a ficar mais tempo na casa de César, inclusive porque ele tinha uma cama de casal, onde Sabrina podia passar a noite...
... enquanto, eles não podiam dormir em conchinha, visto que Sabrina ainda tinha uma cama de solteiro no seu quarto.  
Além disso, Sabrina era sempre bem recebida pela família de César. Se sentindo em casa.
Como vocês podem ver, Sabrina estava bem e feliz e minha morte não afetava em nada sua vida.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Capítulo 3 – Paulette, a viúva

Depois de Júlia, a pessoa que mais sofreu com minha morte foi Paulette.
Ela chorava dia e noite... Em todos os momentos, da hora que ela acordava a hora de dormir.
Estava sendo muito duro para ela perder o companheiro de uma vida, seu melhor amigo. Principalmente, pelo fato de estarmos tão próximos nos últimos tempos... Seu pudesse fazer algo para amenizar sua dor, porém eu sabia que no momento era impossível.
Paulette voltou a pintar para ver se a distração amenizava sua dor, porém nada disso ajudava.
Algumas vezes eu ia zelar seu sono, porém ela nunca acordava perante minha presença. E eu evitava fazer barulho com medo de assustá-la e causar-lhe um ataque cardíaco, precipitando sua morte.
Quem ajudou a apaguizar o luto ao qual Paulette havia entrado de cabeça, foi este pequenino ser, chamado: Dakota.
A chegada de Dakota foi idéia de Pablo. Ele resolveu que era preciso fazer algo drástico para acabar com a tristeza de Paulette, principalmente após a partida de Júlia.
A primeira reação de Paulette foi de surpresa...
...E logo em seguida ela se apaixonou pela pequena Dakota. Foi amor a primeira vista.
O que foi um alívio para mim, pois primeiro, ajudaria a Paulette a suportar o luto. E segundo, diminuía meu medo de que Paulette encontrasse um novo homem.
Não que eu seja egoísta, porém meu maior medo desde minha morte é que Paulette encontrasse um novo amor e esquecesse de mim.
A idéia de Pablo funcionou.
Em pouco tempo o luto de Paulette passou.
E Dakota passou ser o objeto de amor de Paulette.
Paulette sai mais de casa, indo passear com Dakota no parque.
Todos os fins de tarde, Paulette fazia uma caminhada acompanhada de Dakota.
Todas as manhãs Dakota pegava o jornal para Paulette e ficava ao lado de sua dona, enquanto ela lia.
Inicialmente, ela dormia aos pés da cama de Paulette...
... porém, com o tempo ela passou a dormir todas noites na cama com Paulette, assim como na hora da sesta.
As travessuras de Dakota não incomodavam Paulette.
Paulette a tratava como seu bêbe.
E a mimava como tal, também.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Capítulo 2 – Julia, a rebelde?

Digamos que minha morte foi difícil para todos, porém nem todos reagiram da mesma forma.
Por exemplo, Júlia inicialmente reagiu com um mutismo e uma apatia total.
Tudo começou no dia seguinte a minha morte, ou no dia da formatura de Sabrina.
Ao chegar em casa Júlia ficou horas parada na sala olhando para o vazio, sem nenhuma reação aparente.

Durante o jantar de formatura, Júlia não participou. Ele não se moveu do lugar por horas.
Todos a olhavam com preocupação, mas a principio ninguém levou a sério, pensando que era uma crise passageira.
Nos dias que se seguiram o mutismo e a apatia de Júlia não melhoraram. Ela passava horas olhando para o nada, nenhuma reação. Ela não ia mais a escola e passava a maior parte do tempo no seu quarto sem fazer nada.
Depois de uma semana de apatia e mutismo. Ele foi chorar diante do meu sepulto.
Ao vê-la chorar desesperadamente, Paulette pensou que o pior tinha passado e que Júlia estava se recuperando...
Mas, Paulette havia se enganado desta vez...
Nos dias que seguiram, Júlia não mostrou nenhum sinal de melhora. Ela passava horas lendo no seu quarto...
... ou sentada na sala assistindo TV.
Ela recusava comer e ir a escola.
Duas semanas após minha morte, Paulette decidiu que aquilo tinha que acabar e obrigou Júlia a comer na frente dela...
Júlia acabou por comer um pouco e Paulette decidiu que era hora delas terem uma conversa séria.
_ Júlia, eu sei que a morte do teu pai tem sido difícil para todos nós. É doloroso e eu entendo a tua dor. Porém tenho certeza que teu pai odiaria te ver deste jeito. Teu pai morreu, mas você está viva e precisa reagir minha querida. Você tem que parar com isto e seguir adiante com tua vida.
Júlia reagiu muito mal a conversa com Paulette:
_ Quem você acha que é para me dizer como eu devo seguir minha vida!?!?!!? Você tem noção da dor que eu sinto?!?!?!? Meu mundo acabou, você entende?
Paulette assustou-se com a reação explosiva de Júlia.
_ Júlia, eu entendo que você esteja sofrendo muito. Todos nós sofremos com a ausência do teu pai. Mas, fazer greve de fome ou passar o dia todo olhando para a parede não vai resolver nada. Olha teus irmãos, eles continuam estudando e  trabalhando apesar da dor e do sofrimento. Eu sou tua mãe e não vou deixar que você tente destruir tua vida como você tem feito nos últimos dias. A partir de hoje você vai fazer todas as refeições em família e amanhã cedo você vai a escola. Estamos entendidas?
Mas, Júlia estava longe de dar o braço a torcer.
_ Eu vou fazer o que eu quiser. Você não pode me obrigar a nada.
_ Júlia, pelo amor de Deus!!! Eu sou tua mãe. Eu não quero obrigá-la a nada. Mas, tudo tem um limite. E eu não vou ficar aqui vendo você destruir tua vida sem fazer nada. Pode te parecer duro hoje, mas um dia você ainda vai me agradecer por isto.
Júlia voltou a seu mutismo. Paulette insistiu um pouco mais, porém a falta de colaboração de  Júlia, ela achou melhor deixá-la refletir sozinha sobre a conversa que elas tinham tido.
Porém as coisas não melhoram nos dias que se seguiram, Júlia se recusava ir à escola e para piorar as coisas, passou a fazer travessuras em casa.
Paulette tentou ser compreensiva, mas digamos que as travessuras de Júlia estavam acabando com sua paciência.
Era duro para Paulette também, além de ter que lidar com a dor do luto, ela estava sendo obrigada a lidar com uma adolescente rebelde que estava acabando com sua saúde.
Ao se olhar sua imagem molhada e sofrida no espelho, Paulette achou que já estava mais do que na hora de tomar uma atitude decisiva e radical para resolver o problema.
Na mesma hora, Paulette telefonou ao internato: Paz e Amor, expondo toda a situação de Júlia e vendo se eles a aceitavam como aluna.
Eles foram muito compreenssivos e aceitaram a matrícula dela, mesmo estando no meio do ano letivo.
Naquele mesmo dia Júlia seguiu de taxi para o colégio interno. Sem nenhuma reação, ela entrou no taxi sem nada dizer e sem se despedir de ninguém.
Paulette sentiu uma imensa dor no peito de deixar seu bebê partir. A vida já estava dura com a minha ausência e ela sabia que a ausência de Júlia só aumentava a dor e o sofrimento.
Mas, ela tinha esperança de estar fazendo o melhor pela nossa filha.